O dólar fechou em alta nesta segunda-feira, 13, devido à preocupação com a atuação dos agentes econômicos americanos em relação à crise financeira do Silicon Valley Bank (SVB), o maior órgão financeiro a falir desde 2008. A moeda americana fechou em alta de quase 1%, cotada a 5,25 reais.

Embora a moeda tenha fechado a semana passada em alta de 0,15%, ainda acumula perdas de 0,33% em março e de 1,33% no ano.  Segundo Elcio Cardozo, especialista em investimentos e sócio da Matriz Capital, apesar do dólar estar em alta hoje, este movimento pode ser fundamental para uma queda do dólar nas próximas semanas, caso o FED adote um comportamento mais brando na alta de juros. “Caso isso realmente se confirme, os prêmios dos treasuries americanos caem e existe uma possibilidade de fluxo para mercados emergentes, como o Brasil. Esse fluxo de capital estrangeiro para nossa bolsa abre espaço para a queda do dólar”, diz Marcus Vinicius Leoncio, economista e chefe da mesa Internacional da Nomos.

De acordo com o monitoramento do CME Group, 90% das apostas são de que os juros nos EUA fecharão 2023 abaixo do patamar atual, entre 4,50% e 4,75% ao ano. Essa expectativa também é refletida no mercado brasileiro, com os DIs operando em queda, principalmente nos vencimentos mais longos. O afrouxamento da política monetária nos Estados Unidos, no entanto, pode abrir uma breve vantagem do real sobre o dólar, pois o cenário pode levar o Banco Central brasileiro a repensar os juros. “Essa movimentação do mercado se deve em parte à notícia do colapso do SVB e do Signature Bank, que sugere que o Banco Central brasileiro poderá ter que cortar as taxas de juros antes do previsto para evitar uma situação semelhante. Isso preocupa os investidores estrangeiros, que já estavam retirando seu capital de mercados emergentes, como o Brasil”, economista e chefe da mesa Internacional da Nomo. 

Aumento das taxas de juros do Federal Reserve é apontado como uma das razões para a insolvência do Silicon Valley Bank, levando o governo americano a tomar medidas para evitar uma crise bancária maior e acalmar os mercados globais. Essa ação do governo pode levar a uma expectativa de um aperto monetário menor do que o previsto para este ano, o que pode abrir espaço para uma redução na taxa básica de juros no Brasil.

“Hoje, o câmbio oscilou em resposta às informações vindas dos EUA e com a expectativa pela nova regra fiscal no Brasil. O real, que sofreu na semana passada com investidores em busca de proteção, continuou a cair em relação ao dólar, variando entre 5,2098 reais e 5,2818 reais. Durante a semana, teremos dados relevantes que podem influenciar as expectativas de juros nos EUA, como a inflação e pedidos de auxílio desemprego”, diz Diego Costa, chefe de câmbio da B&T.

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