“Hoje o governo ainda não tem uma base consistente nem na Câmara, nem no Senado, nem para matérias de maioria simples, quanto mais para matérias de quórum constitucional”.

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, acendeu um baita sinal amarelo para Lula nesta segunda-feira, 7.

A novidade é que interlocutores do político alagoano afirmaram hoje à coluna que o recado não foi bem entendido pelo governo ou pela opinião pública.

Segundo eles – após 65 dias -, o governo Lula 3 está mais parecido com o Dilma 2 do que com o Lula 1 ou Lula 2. Era isso que Lira queria dizer.

Na época – é bom lembrar – a ex-presidente patinou desde o início do governo para fazer sua base parlamentar, justamente por conta da atuação de um presidente da Câmara e por conta da falta de habilidade política dela.

Na ocasião, Eduardo Cunha era inimigo de Dilma. Ainda não se sabe totalmente o papel de Lira em relação a Lula.

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Nesta terça, 7, o atual presidente da Câmara atuava na escolha das comissões da Casa, que considera o tamanho das bancadas. A ver como esse capítulo acabará.

Lula, por outro lado, é o político mais hábil da história brasileira.

Tem encontrado mais dificuldades após a tragédia – ou o bolsonarismo – tomar conta do Brasil, mas vai conseguir formar a base do governo.

É uma questão de tempo, apenas. Está sendo mais difícil porque o retrocesso foi tão grande, incluindo na política, que a reconstrução deve demorar mais um pouco.

A direita também está mais organizada. Lula sabe disso e tem atuado nos bastidores para transpor os obstáculos. Lira avisou, mas nem precisava.

O presidente sabe o que tem que fazer.

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