Em meio ao desgaste de imagem por conta da politização das Forças Armadas nos quatro anos do governo de Jair Bolsonaro e, mais recentemente, pelas acusações de apatia diante do quebra-quebra em Brasília nos atos de 8 de janeiro, o Exército concluiu que a Força contribuiu muito com a ‘paz social’ em 2022. O diagnóstico consta de uma portaria assinada pelo comandante Tomás Paiva, nomeado pelo presidente Lula, e é utilizado como parâmetro para gratificações de servidores do Exército. Quanto maior a pontuação, maior o benefício financeiro extra.
O desempenho institucional do Exército em 2022 mostra que o índice de contribuição com a rubrica “desenvolvimento sustentável e a paz social” atingiu um resultado de 85,55%, superando a meta de “aperfeiçoar o sistema de ciência, tecnologia e inovação” do Exército, que atingiu resultado de 83,04%. Não há detalhamento sobre que ações efetivas da força levaram a cada pontuação. O maior resultado foi o índice de “ampliação da projeção do Exército no cenário internacional”, que atingiu 90,38%.
No ano passado, quando as primeiras manifestações em frente a quarteis militares começaram a ecoar descontentamentos com o resultado das eleições de outubro, as Forças Armadas vieram a público dizer que protestos eram legítimos, mas que “eventuais excessos” seriam condenáveis. E afirmaram que “como forma essencial para o restabelecimento e a manutenção da paz social, cabe às autoridades da República (…) a imediata atenção a todas as demandas legais e legítimas da população”. Os acampamentos, como se sabe, foram o ponto de largada para que vândalos invadissem a Esplanada dos Ministérios e destruíssem em janeiro a sede do Palácio do Planalto, do Congresso e do Supremo Tribunal Federal.
Os atos motivaram o ministro do STF Alexandre de Moraes a abrir investigações para apurar financiadores e executores dos atos de vandalismo e decidir que militares que eventualmente sejam processados pelo quebra-quebra serão julgados pelo próprio tribunal, e não pela Justiça Militar.
