Decidido a criar as condições para aprovar a nova âncora fiscal e ao menos uma parte da reforma tributária, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve dar o sinal verde para as negociações no Congresso já na volta do carnaval. Líderes governistas admitem que não será simples montar uma base consolidada para Lula, mas entendem que há condições suficientes para viabilizar votações estratégicas no varejo.

+Leia também: O protesto silencioso nos bastidores do desfile da Beija-Flor

Por varejo, leia-se por meio da liberação de cargos até agora represados no segundo e terceiro escalão, além da liberação de emendas parlamentares que devem se estender até mesmo a novos parlamentares e integrantes de partidos que apoiaram o ex-presidente Jair Bolsonaro. O governo entende que está bem adiantado nas conversas com setores do PL, PP e Republicanos, por exemplo.

A aprovação da nova âncora fiscal, que o governo pretende enviar ao Congresso até o mês que vem, será o primeiro grande teste. Mas a reforma tributária segue sendo a grande prioridade da nova gestão. Pode, inclusive, passar na frente na agenda de votações, de acordo com congressistas ouvidos pela coluna. Lula também entende que é essa votação que permitirá validar em definitivo Fernando Haddad no comando da Fazenda. Se a reforma sair, pode trazer um alento na relação entre o ministro e o mercado.

Nos bastidores, o discurso do governo é de otimismo. Há quem diga que, embora as conversas sigam em andamento, o Planalto já dispõe dos votos necessários para aprovar mudanças na Constituição. Claro, com uma mãozinha e tanto do presidente da Câmara, Arthur Lira. Lula também espera ter ajuda de governadores no trabalho de convencimento, inclusive alguns de partidos de oposição. A recente aproximação entre o presidente e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, por exemplo, é tida como estratégica.

+Leia também: Oposição deve ajudar Lula na aprovação da reforma tributária, diz deputado

 

Continua após a publicidade