Em meio a rumores de que vem trabalhando contra a indicação de Cristiano Zanin, defensor do presidente Lula na Lava-Jato, para a vaga que será aberta em maio no STF (Supremo Tribunal Federal), o Grupo Prerrogativas, composto por advogados próximos ao petista, divulgou uma nota afirmando que apoiará qualquer nome que venha a ser escolhido pelo chefe do Executivo.

“O Grupo Prerrogativas defenderá, de forma clara e contundente, qualquer que seja a escolha do presidente Lula para as vagas que abrirão no Supremo Tribunal Federal e nos demais tribunais do país. É ele, e só ele, que, por delegação do povo brasileiro, carrega a responsabilidade e o direito constitucional de fazer as referidas escolhas e indicações. Não nos cabe, e nunca coube, fazer qualquer tipo de aferição sobre o preparo e a condição técnica de qualquer que seja o candidato a qualquer que seja a vaga”, diz o texto, assinado pelo coordenador do grupo, Marco Aurélio de Carvalho. “Chega a ser infantil a sórdida tentativa de criar atritos entre o nosso grupo e o advogado Cristiano Zanin.”

O Prerrogativas tem seus próprios candidatos para a vaga que será aberta em maio, com a aposentadoria do ministro Ricardo Lewandowski. Os principais são os juristas Lenio Streck e Pedro Serrano. Cristiano Zanin, que defendeu Lula nos processos da Lava-Jato, é apontado como uma possível escolha pessoal do presidente, por ter se tornado um nome de confiança do petista.

Há ainda outros nomes de peso na corrida pela vaga, como o presidente do TCU (Tribunal de Contas da União), Bruno Dantas, que tem o apoio do ministro Gilmar Mendes e representaria um agrado ao Parlamento. Dantas transita bem no mundo político, é próximo do senador Renan Calheiros (MDB-AL), um aliado importante de Lula, e, de quebra, deixaria vaga uma cadeira no TCU cuja indicação cabe ao Senado — comandado por Rodrigo Pacheco (PSD-MG), outro apoiador do governo.

Outro concorrente forte é o jurista baiano Manoel Carlos de Almeida Neto, ex-assessor de Lewandowski no STF e apoiado pelo atual ministro.

Diante do acirramento da disputa, o Prerrogativas afirmou que defende um certo tipo de perfil, e não um nome específico. “Que (as vagas nos tribunais) sejam preenchidas por pessoas íntegras, com sólida formação jurídica e humanista. Que sejam preenchidas por pessoas sensíveis aos reais problemas do nosso país e por pessoas verdadeiramente progressistas. Precisamos combater o nefasto ativismo judicial que nos assola e envergonha, e a triste instrumentalização do nosso sistema de justiça”, sustenta o coordenador do grupo.

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