Após a escalada de tensões entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Banco Central, a expectativa é que o embate esfrie nos próximos dias. A primeira reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) sob a gestão Lula está marcada para quinta-feira, 16, e cresce a possibilidade de revisão da meta de inflação, ponto inicial da crítica de Lula à política monetária vigente.

O Conselho Monetário Nacional é composto por três integrantes, sendo um o presidente do Banco Central e dois membros do governo. O CMN atual é composto por Roberto Campos Neto, Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento). A principal função do CMN é estabelecer as diretrizes da política monetária, cambial e financeira do país, incluindo a definição de metas de inflação, a administração da taxa de juros e a regulamentação do sistema financeiro. Além disso, o CMN também é responsável por aprovar regulamentos e normas que regulam as atividades do sistema financeiro, incluindo bancos, instituições financeiras e mercados de capitais.

Membros do alto escalão do governo e próximos ao presidente do Banco Central sinalizam que o comandante da autarquia, Roberto Campos Neto, concorda em revisar a meta pra cima, estabelecida atualmente em 3,25%, passando para 3,5% em 2023. Levando em conta que ainda há uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, se houver essa revisão – como vem sendo especulado – o Banco Central poderá trabalhar com uma inflação de até 5% para 2023.

A inflação oficial do país em 2022 foi de 5,79% e estourou pelo segundo ano consecutivo a meta, estabelecida em 3,5%. Mas esse não é um caso isolado. Desde que o sistema de metas foi implementou, em 1999, a inflação só ficou abaixo da meta entre 2006 e 2007 e em quase os meses de 2017, 2018 e em 2020, já no início da pandemia. Contabilizando, foram apenas 69 meses abaixo da meta considerando os 282 meses de existência do sistema de metas.

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