Todo sorrisos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu uma entrevista nesta sexta-feira, 10, à emissora americana CNN, horas antes de encontrar-se com o líder dos Estados Unidos, Joe Biden. Na conversa com a jornalista Christiane Amanpour, o brasileiro afirmou que, embora defenda o direito da Ucrânia de se defender contra a invasão da Rússia, é preciso criar condições para um país “tão grande” revisar “o erro” que cometeu.

“Estou altamente comprometido com democracia em todo o mundo. Acho que, na Ucrânia, precisam conversar mais sobre paz, essa é minha tese. Precisamos mostrar ao presidente [Vladimir] Putin o erro que ele cometeu, e mostrar para a Ucrânia que tem que conversar”, disse Lula. “Precisamos parar a guerra.”

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O presidente falou ainda sobre uma proposta que ele levantou durante a visita do chanceler alemão, Olaf Scholz, ao Planalto há duas semanas, de formar uma espécie de fórum internacional para buscar a paz na Ucrânia. Para ele, o Brasil não tem força global suficiente para organizar a façanha, portanto seria preciso do apoio das potências Estados Unidos e China.

“Vou viajar para a China no próximo mês e quero falar muito com o presidente Xi Jinping sobre seu papel nas negociações de paz. Temos que ter um grupo de países que falem sobre paz, não guerra, que é o único jeito de retomar a dignidade humana. Precisamos construir uma narrativa de paz, porque a Rússia é um país grande, que dê condições para Putin parar a guerra”, declarou.

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Lula tem um histórico de hesitação em condenar a guerra na Ucrânia. Antes de oficializar a candidatura para as eleições presidenciais no ano passado, ele deu uma entrevista à revista americana TIME dizendo que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelesnky, tinha tanta responsabilidade pelo conflito quanto Putin.

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Embora tenha recentemente recusado o envio de munições brasileiras para ajudar Kiev e se defender, sua narrativa se suavizou desde que assumiu a presidência e, a Amanpour, garantiu: “A Ucrânia tem direito de se defender”.

Ele acrescentou: “A invasão foi um erro por parte da Rússia, especialmente como parte do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Agora, temos que consertar o erro que já foi feito.”

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Segundo o presidente, a recusa em enviar munições se justifica porque “não quero me juntar à guerra. Quero acabar com a guerra.” Ele reiterou que quer “falar sobre paz” com os líderes russo (Putin), americano (Biden) e chinês (Xi), já que “o mundo só vai se desenvolver se tiver paz.

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