Recentemente, Paulo Okamotto, hoje um influente operador do governo, procurou Carlos Melles, presidente do Sebrae, para uma conversa sem meias palavras sobre quem manda no órgão. Em novembro, Melles foi reeleito. Por lei, tem mandato garantido até 2026, mas Okamotto, cumprindo ordens de Lula, quer tirá-lo à força para transformar o lugar num cabide de empregos ao petismo que não se elegeu no ano passado.

Na virada do governo, Lula prometeu lotear o Sebrae — que tem salários de até 60.000 e orçamento de 4,5 bilhões de reais — entre petistas de São Paulo e aliados de outras siglas.

Há algumas semanas, Okamotto chamou Melles para uma conversa no hotel onde Lula ficava em Brasília e ordenou a renúncia. “Okamotto, você quer minha cabeça?”, disse Melles, incrédulo. “Ou você sai ou vamos te tirar”, devolveu o petista.

Eleito dentro das regras e reconhecido pela gestão técnica no Sebrae, Melles só deixa o cargo se onze de quinze conselheiros
— que o reelegeram em novembro por unanimidade — se curvarem a Okamotto. Ciente de que tem apoio para ficar diante da tentativa de golpe, Melles não recuou: “Não vou renunciar. Pode tentar me tirar”.

O jogo, no entanto, é bruto, depois dessa conversa, Okamotto e o próprio Lula entraram em contato com Robson Andrade, da CNI, e outros dirigentes do Sistema S pedindo a queda da diretoria técnica do Sebrae.

 

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