Cerca de 40% dos agentes de segurança pública consideram as pautas golpistas do dia 08 de janeiro legítimas e que não atentaram contra a democracia, mostra levantamento feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) publicado nesta segunda-feira, 30. Em entrevista com policiais militares, civis, federais, rodoviários federais, penais e guardas municipais durante a última semana, a pesquisa aponta mais da metade dos agentes policiais como simpatizantes da conduta da Polícia Militar do Distrito Federal na tentativa de golpe. O problema teria sido exclusivamente de comando político, defende o total de 51%. No entanto, houve falha no planejamento das forças de segurança na contenção às invasões, acredita cerca de 76% participantes consultados.

Outros estudos realizados pelo órgão, desde 2020, a respeito da conduta dos profissionais, indica que entre 15% e 40% dos entrevistados podem ser considerados radicalizados ou potencialmente radicalizáveis, a depender do contexto política apresentado.

Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do FBSP, explica que o objetivo da pesquisa era o de mostrar quão complexa é a agenda de segurança pública no Brasil. “Os dados revelam que os profissionais da área têm consciência dos impactos institucionais provocados pelos ataques. Porém, a sondagem sugere que os problemas são vistos por eles como meramente político ou ideológico. Para a manutenção da ordem democrática, exige-se que segurança seja pensada como um direito social coletivo que precisa ser assegurado e ampliado”, diz.