A fuga de três bandidos do presídio Bangu 6, no Complexo de Gericinó, ocorrida no último domingo, 29, levantou diversas questões sobre como foi possível que os condenados tivessem realizado essa ação cinematográfica. Na manhã desta terça-feira, 31, o juiz Bruno Monteiro Rulière, da Vara de Execuções Penais (VEP) deu 48h para a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (SEAP) dar detalhes sobre a ação dos bandidos, ao apontar “falhas grosseiras” no monitoramento de segurança do presídio.

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Das inconsistências das versões apresentadas pelos agentes de segurança penal, cinco pontos são os mais cruciais para esclarecem a saída do bando de dentro de suas celas.

1 – A queda de energia

De acordo com o relato dos depoentes, a energia da penitenciária teve picos que dificultaram a visualização dos pátios, por causa das fortes chuvas. No entanto, nesta terça-feira a companhia de fornecimento de energia elétrica Light rebateu a versão e afirmou não ter registrado falta de energia no local. Na decisão do juiz, ele solicita que “observado o livro de ocorrências da unidade, a SEAP informe todas as anotações noticiando a falta de energia nos últimos três meses”. E também questiona sobre o funcionamento do gerador de energia da unidade, que deveria suprir o fornecimento em casos de falhas da Light.

2 – Os servidores

Segundo a SEAP, dos sete plantonistas escalados, dois faltaram ao trabalho, o que reduziu o número de postos de vigilância do presídio ocupados pelos agentes. Dois dias após o sumiço dos marginais, a SEAP transferiu os cinco agentes. No pedido por esclarecimentos da secretaria, o juiz da VEP descreve que “os fatos ventilados revelam um quadro que expõe fundadas suspeitas de falhas grosseiras e omissões ilícitas de servidores”.

3 – As câmeras

Durante toda a ação dos bandidos, as câmeras de segurança não captaram nenhuma imagem. De acordo com os depoimentos dos agentes, houve mal funcionamento, por causa do fornecimento de energia. A perícia ainda apura recuperação de arquivos de imagens para ajudar nas investigações.

4 – As grades

Os presos, que estavam na mesma cela, conseguiram se livrar das grades e rumaram para a fuga. A SEAP ainda não explicou como o trio conseguiu se livrar da cela. A polícia apura a hipótese de que os traficantes conseguiram serrar o metal, com alguma ferramenta que obtiveram. No entanto, a investigação não descarta a possibilidade de agentes penitenciários não terem trancado a cela na hora da reclusão dos detentos.

5 – Os celulares

Nesta terça-feira a SEAP, nas diligências para compreender o caso, revelou  que encontrou celulares na cela dos presos. Ainda não foi explicado como os objetos chegaram à posse dos criminosos e nem o conteúdo presente nos telefones.

Os bandidos também foram astutos na escolha do momento para escapar. Formado por Marcelo de Almeida, Lucas Apostólico e Jean Carlos do Nascimento, o trio escapou para fortalecer a facção deles, que participa de uma disputa territorial há 14 dias. O conflito entre o Comando Vermelho e a milícia da Gardênia Azul, berço dos paramilitares fluminenses, teve Morro do Dezoito como um dos pontos da disputa. Jean Carlos, que é chefe do tráfico da comunidade, arquitetou a fuga para, por assim dizer, defender o seu “reino”.

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