O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Procuradoria-Geral da República na noite da última segunda-feira, 30, que abra uma investigação sobre a declaração do governador de Roraima. No domingo, 29, em meio a crise humanitária enfrentada pelos ianomâmis, os quais sofrem de desnutrição severa, chefe do Executivo do estado, Antonio Denarium (Progressistas), que a etnia precisa se “aculturar” por “não poder ficar no meio da mata, parecendo bicho”.

Além disso, o político disse que a falta de alimentos não é real. O documento do MPF  ressalta que houve “desassistência do governo federal nos últimos quatro anos, durante a gestão de Jair Bolsonaro, a quem o governador de Roraima era aliado e defensor”.

O órgão avalia que as falas de Denarium têm potencial discriminatório, um “ato passível de responsabilização cível e criminal”. “Além de ofender a imagem coletiva dos ianomâmis, rotulando-os como ‘bichos’, expressam opinião depreciativa que implica, ao que parece, a conclusão de que os povos indígenas não podem viver seu modo de vida tradicional”, relata o pedido de investigação.

O MPF também instaurou inquérito para apurar a responsabilidade cível do Governo do Estado de Roraima. O documento foi encaminhado ao procurador-geral da República.

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