O governador paulista Tarcísio de Freitas levou Arthur Lira, presidente da Câmara, para jantar no Palácio dos Bandeirantes na semana passada. O cardápio: as dificuldades de Lula no Congresso.

Como outros à mesa, Tarcísio estava curioso sobre a dimensão da base parlamentar do governo. Não dá para saber, respondeu Lira, antes de o governo encontrar um rumo. Por enquanto, está tudo indefinido — “confuso até para os próprios petistas”, emendou um dos convidados, rindo.

Lula deve completar três meses de mandato sem uma base parlamentar “consistente” — qualificação de Lira — na Câmara e no Senado. O custo é a redução da capacidade do governo para manejar sua agenda legislativa neste primeiro semestre.

Citou como exemplo o plenário da Câmara: “Não vai passar nada, nenhum projeto, facilmente.” Lula vai precisar negociar exaustivamente cada ponto de cada iniciativa legislativa, acrescentou.

As melhores chances do governo, explicou, estão em projetos mais ou menos consensuais, como é o caso da reforma tributária. Mesmo aí, o problema hoje é a escassez de votos.

Continua após a publicidade

Vai depender, acha, da disposição de Lula em batalhar voto a voto para estabilizar a base governista e dar viabilidade ao próprio governo.

Improvisos custam caro, comentou-se numa irônica referência ao caso do União Brasil. Lula premiou o partido, que tem 59 deputados, com três ministérios. Na sequência, viu o União se declarar independente do governo — mantendo os ministérios.

Outro aspecto discutido foi a aparente resistência de segmentos com peso específico no Congresso em conversar com o governo.

O caso mais evidente é o da bancada do agronegócio, onde a relutância tem sido estimulada até por invasões de propriedade rurais, um ruído sempre amplificado pelo ativismo de bolsonaristas radicais nas redes.

O jantar avançou por quase três horas. Acabou num consenso: Lula precisa correr para se entender com o Congresso e garantir margem de manobra para governar antes de 2024, ano de eleições municipais.

Continua após a publicidade