O Tribunal de Contas da União (TCU) recuperou em parte sua imagem ao exigir a devolução das joias recebidas por Jair Bolsonaro da Arábia Saudita.
Alias, a maioria dos ministros da corte não só exigiu o retorno das peças para o Estado, como criou uma nova jurisprudência em relação a presentes recebidos por presidentes da República.
A cada quatro anos, ao fim do mandato de um chefe de Estado, os presentes serão analisados se foram corretamente catalogados em acervo público ou privado.
A questão maior será o valor do presente: se for uma camisa ou um boné, vai para o privado. Joias como as recebidas pelo ex-presidente e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, esqueçam.
Será do país, e do país apenas.
Com a nova regra, o plenário do tribunal recupera a imagem perdida após decisão recente de Augusto Nardes.
O ministro – que normalizou até um golpe – permitiu que Bolsonaro virasse “fiel depositário” do relógio, de uma caneta, de abotoaduras e de um rosário de uma das joalherias mais caras do mundo.
Envergonhado com a própria decisão, Nardes mudou o seu entendimento no julgamento de hoje, acompanhando os colegas de toga que viram em tudo isso um absurdo desmedido.
Melhor assim. É o tipo de mudança de ideia que precisa ser elogiada.
