A estreia de Sergio Moro (União-PR) na tribuna do Senado, nesta terça-feira, 14, deu uma amostra de como o ex-juiz da Lava-Jato e ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL) não terá vida fácil na política. Escanteado por uma parcela de seus pares devido à forma como conduziu a operação anticorrupção, Moro já havia visto seu partido, o União Brasil, aderir ao governo Lula — a legenda ganhou três ministérios. Agora, em seu primeiro discurso, teve de escutar críticas pesadas do senador Rogério Carvalho (PT-SE), que o acusou de ter sido um juiz corrupto.

Moro elogiava um pedido de vista do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, indicado à Corte por Bolsonaro, em uma ação que discute a constitucionalidade da Lei das Estatais, aprovada em 2016 na esteira dos escândalos de corrupção revelados pela Lava-Jato. O pedido de Mendonça paralisou o julgamento no plenário virtual do Supremo. Para Moro, a Lei das Estatais foi importante por combater o “loteamento político desenfreado” que gerava oportunidade para desvios de recursos públicos.

Em seguida, Carvalho pediu a palavra e rebateu, afirmando que no passado houve “corrupção praticada por magistrados no exercício de suas funções”, referindo-se a Moro. “Esse tipo de prática do Judiciário nunca mais o país pode viver, porque isso levou a essa aventura autoritária, essa tentativa de golpe que nós vimos no dia 8 de janeiro”, disse o senador petista. O embate repercutiu nas redes sociais, mexendo com lavajatistas e antilavajatistas.

Moro e o ex-procurador Deltan Dallagnol (Podemos-PR), hoje deputado federal, buscam resgatar o espírito da Lava-Jato no Congresso. A reação dos colegas e o isolamento da dupla indicam que a missão não será nada fácil.

Continua após a publicidade