Se pela ótica da produção o setor de serviços foi quem mais avançou e sustentou o resultado do PIB, olhando para a demanda, os gastos com bens e serviços, o consumo das famílias foi o motor do resultado da economia brasileira em 2022, com avanço de 4,3% no ano. Em 2022, o PIB brasileiro avançou 2,9%, chegando ao segundo ano consecutivo de crescimento.

Com a redução gradual até o fim das restrições da pandemia de Covid-19, as famílias passaram a gastar mais com serviços antes fechados por causa da pandemia.  Negócios como bares, restaurantes, hotéis, empresas de transporte e pequenos comércios, por exemplo, foram os que mais sofreram no choque inicial da Covid-19 e a recuperação dessas atividades com o avanço da vacinação e a queda da curva de contaminação ajudou a movimentar a economia brasileira.

Em um ano de inflação pressionada e juros em patamares elevados, o grande responsável pelo aumento do consumo das famílias, além da demanda represada de consumo, foi o mercado de trabalho. No ano passado, a taxa de desemprego chegou a 9,3%, menor patamar anual desde 2015.

“O consumo das famílias e beneficiou nos últimos meses com os incentivos e benefícios do governo’, analisa Renan Suehasu, planejador financeiro CFP e sócio da A7 Capital. O governo de Jair Bolsonaro (PL), tomou diversas medidas para tentar aumentar sua popularidade em ano eleitoral. No primeiro semestre do ano, a gestão Bolsonaro liberou um saque extraordinário de 1.000 das contas do FGTS, bem como adiantou o 13º salário de aposentados e pensionistas. Às vésperas das eleições presidenciais, o então presidente aumentou o valor do programa Auxílio Brasil para 600 reais, além de cortar impostos sobre os combustíveis.

Resultado

Sob a ótica da demanda, o indicador de investimentos, chamado de formação Bruta de Capital Fixo, subiu 0,9%. O PIB sob a ótica da demanda contempla ainda exportações, importações e consumo do governo. As exportações tiveram alta de 5,5% e as importações cresceram em ritmo menor, em 0,8%. O consumo do governo, por sua vez, avançou 1,5% no ano passado.

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