Se houve uma cena capaz de provocar algum alento diante tragédia provocada pelas chuvas no litoral paulista foi a união entre governantes, independentemente de partido ou ideologia. A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de interromper a folga de carnaval e viajar para São Paulo fez muito mais do que sacramentar uma relação republicana entre o governo de São Paulo e o governo federal. Ela impôs uma derrota imensa para o jeito de fazer política que vigorou sob Jair Bolsonaro.
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O governador Tarcísio de Freitas, mesmo eleito pelas mãos do ex-presidente, escolheu o diálogo. Rejeitou sem rodeios o método usado tantas vezes por seu padrinho político, seus familiares e seus aliados mais próximos. Enquanto os bolsonaristas raiz partiam para cima de Lula nas redes sociais, Tarcísio agradeceu ao petista. Ganham as instituições, perdem o que se alimentam do conflito.
A diferença no comportamento do governador em relação ao primeiro time de Bolsonaro é gritante. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por exemplo, foi às redes sociais para criticar o valor de R$ 2 milhões liberado pelo governo federal para as vítimas da tragédia. O mesmo fez Carla Zambelli (PL-SP).
Já o deputado bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG) resolveu partir para cima da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja. Sobrepôs a postagem em que a primeira-dama lamenta as mortes em São Paulo a imagens dela curtindo o carnaval na Bahia.
Aos poucos, fica cada vez mais evidente que Tarcísio tem um plano: transformar-se em uma alternativa eleitoral na direita brasileira. Mas uma alternativa que não se deixa seduzir pelo radicalismo político. E, tudo indica, ele está no caminho certo.
