O presidente Lula não está disposto a recuar da pressão sobre o Banco Central. Segundo seus assessores, ele alega que a política econômica deve se sustentar sobre um tripé, que inclui controle da inflação, equilíbrio fiscal e promoção do pleno emprego, mas ressalta que este tripe atualmente está completamente capenga, em razão da taxa básica de juros (Selic) praticada pela autoridade monetária, de 13,75% ao ano.
“O Banco Central não pode fixar uma taxa de juro que estrangule o capital produtivo e dificulte o emprego. Ninguém tem dúvida de que o Lula foi eleito para promover uma política com mais investimento no social e que tem como objetivo criar oportunidades, gerar emprego e distribuir renda”, diz o ministro de Comunicação Social, Paulo Pimenta. Ele ressalta ainda que o governo é parte legítima do processo político e, por isso, o presidente tem o direito de opinar sobre qualquer tema.
Acossado, o chefe do Banco Central, Roberto Campos Neto, reagiu à ofensiva de Lula como uma série de acenos e declarações amistosas. Numa ocasião, pediu um voto de confiança do mercado ao trabalho do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Noutra, disse que o governo está na direção certa e considerou legítimo o debate sobre a taxa de juros. Ainda não foi o suficiente para acalmar o mandatário, que quer a redução da Selic.
“Se ele (Roberto Campos Neto) topar, quando eu for levar o meu governo para visitar os lugares mais miseráveis deste país, vou levá-lo para ele ver. Ele tem que saber que a gente, neste país, tem que governar para as pessoas que mais necessitam”, declarou o petista em entrevista à CNN Brasil, deixando claro que para ele a autoridade monetária prioriza os ganhos do mercado, sempre demonizado pelo PT.
Em documentos oficiais, o BC tem argumentando que o nível atual da Selic está atrelado à situação fiscal do país. Se houver ações para melhorar as contas públicas, há perspectiva de redução dos juros. Haddad, a quem Campos Neto pediu um voto de confiança, promete entregar a proposta de novo marco fiscal em breve.
